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Psicologia

SOFRIMENTO “LIMPO” ESOFRIMENTO “SUJO”

Existem, basicamente, duas formas de sofrer na vida: o chamado sofrimento sujo e o sofrimento limpo. Sofrimento limpo é aquela dor causada pelos infortunios naturais de vida, aquelas coisas as quais não temos como evitar e que não buscamos por vontade própria. Alguns exemplos: perdas de pessoas queridas, sofrer um assalto, perder o emprego, terminar […]

SOFRIMENTO “LIMPO” ESOFRIMENTO “SUJO”

Existem, basicamente, duas formas de sofrer na vida: o chamado sofrimento sujo e o sofrimento limpo. Sofrimento limpo é aquela dor causada pelos infortunios naturais de vida, aquelas coisas as quais não temos como evitar e que não buscamos por vontade própria. Alguns exemplos: perdas de pessoas queridas, sofrer um assalto, perder o emprego, terminar um relacionamento. Todas essas situações podem despertar emoções desagradáveis, como tristeza, raiva, ansiedade. Mas fazem parte da vida e nos convocam a algum tipo de enfrentamento no momento certo.

Já o sofrimento sujo é toda aquela dor que criamos na nossa mente, a partir do que vivemos (ou ainda nem vivemos). Um exemplo? Bom, imagine que você tem uma reunião marcada com seu chefe para a semana que vem e não sabe a pauta. Daí você começa a pensar. “É isso, vou ser demitido! E agora? Como vou pagar as contas? Vai ser difícil conseguir outro emprego assim tão rápido. Até lá, o que vou fazer para ganhar dinheiro?…

Perceba que você nem sabe ainda se será ou não demitido. Se for, além do sofrimento da demissão, você passou uma semana de dor e impotência. Se não for, bom, ai você sofreu de graça mesmo. Na situação hipotética que eu trouxe, fica claro que há uma forma catastrófica de olhar para o futuro incerto e uma tentativa de controlá-lo pela fantasia, pela imaginação. Por vezes, desconfiamos da nossa capacidade de enfrentar as situações no momento que elas aparecem e acreditamos que o controle está em antever cenários terríveis e como lidariamos. É uma espécie de cultivo de sofrimento, que estressa e vai sugando nossas forças. Imaginar o futuro é uma dadiva fenomenal do ser humano. Mas até remédio em excesso se torna veneno.